Era bom, era muito bom quando me pegavas ao colo, era bom quando dizias que era a menina dos teus olhos, era bom quando eu estava triste e tu fazias as coisas mais parvas e disparatadas do mundo só para me veres sorrir! Sim eu ria-me muito por mais amuada e triste que estivesse, eras o único que conseguia ter tal efeito sobre mim, mas eu gostava de ti e pronto ficava assim, com os olhos a brilhar mal chegava ao pé de ti!
Foi assim que vivi toda a minha infância, feliz e sim na altura eu acreditava que essa felicidade íria durar para sempre, mas depois eu cresci e tu envelheceste e eu começei a ter medo. Eu tinha muito medo de te perder porque quando algo é precioso e importante nós não queremos perder de forma alguma. Eu sabia que um dia isso aconteceria, por mais que doe-se cá dentro eu tinha de me mentalizar mas infelizmente nunca me mentalizei e tu partiste. Apesar de doer muito e de me querer esquecer não consigo!
Relembro quase todos os dias os teus gestos, os teus carinhos e penso muito em ti, especialmente nos dias em que estou triste e amuada e ninguém me entende, ninguém me consegue fazer sorrir! Tu conseguirias, sim, eu sei que sim mas tu partiste naquele triste dia e a partir daí tudo mudou. Foi nesse dia que uma parte de mim morreu e não mais voltou! Hoje lembro-me bem desse dia até me lembro bem mais do que queria. Tinha saído cedo de casa para mais um dia de aulas, estava entusiasmada por saber que hoje seria o dia do magusto na escola e naturalmente apesar da idade isso continuava a trazer-me sempre uma certa agitação pois na escola fazia-se sempre alguma coisinha para lembrar o dia. Bem dito bem certo, durante a hora de almoço lá estavam os miúdos a distribuir castanhas e claro que nós aproveitávamos sempre para fazer umas traquinices com o pó da fogueira mas as funcionárias acabavam por dizer “ vá meninos então, já tem idade para terem juizinho “ e nós lá parávamos.
Faltavam cerca de 10, 15 minutos para entrar para a aula da tarde e como sempre a mãe ligou para perguntar como tinham corrido as aulas da manhã e o teste que tinha tido nessa manhã e como tinha sido o almoço ( o que tinha sido, se tinha comido na escola, se comi bem ) ai confesso que às vezes me cansava destes telefones da mãe mas também já há muito que me havia habituado. No entanto naquele dia ao telefone a voz da mãe estava diferente, e eu percebi logo. Perguntei que se passava mas ela fugiu rapidamente à pergunta dizendo que era melhor ir para a aula que estava quase na hora, e eu assim fiz mas percebi que ela tinha estado a chorar. Fui para a aula e não me saiu aquilo da cabeça toda a tarde, sentia-me estranha...
18h20 cheguei finalmente a casa .. estava morta de cansaço! Assim que entro encontro tudo em silêncio e algumas coisas fora do sítio pensei que a mãe andasse a fazer mudanças como ela tanto gosta mas não.. desta vez não era esse o motivo pelo qual as coisas se encontravam fora do sítio desta vez o motivo era o pior de todos, a tua partida sim, era por isso que algumas coisas estavam fora do lugar, era por isso que a mãe estava a chorar, era por isso que a avó estava desolada e foi por isso que me rebentaram as lágrimas mal a mãe me contou! Não queria sequer acreditar, corri para o meu quarto a chorar e não quis falar com mais ninguém! No dia seguinte veio a pior parte, a da despedida... foram lágrimas sem fim e não queria acreditar nem por sombras que eras tu que estavas ali dentro fechado, a caminho da escuridão mas ao mesmo tempo da luz mas os anos passaram e eu começei a acreditar cada vez mais que eras tu!
Hoje ainda choro, choro muitas vezes, sofro para mim mesma várias vezes mas de cada vez que olho para o céu sinto e sei que estás lá, que és a estrelinha mais brilhante de todas, que me está sempre a ver e a proteger!
Serás sempre e para sempre a melhor estrela, a estrela que brilha mais e que é só minha! O tempo não volta atrás mas sei que um dia vou poder dizer-te OBRIGADA POR TUDO AVÔ! ♥

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