sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vento doce e traiçoeiro, se o levares, trá-lo de volta





A tarde estava a chegar ao fim. O dia não era dos melhores, mesmo sendo primavera. Estava frio e um vento gélido desagradável. No entanto, decidi convencer-te a ir à praia ver o mar e, como quase sempre, começaste logo a reclamar todo rabugento, que estava frio e que ias ter frio. Só me consegui rir e puxei-te. Estávamos a subir para a praia quando o cheiro a maresia me invadiu o nariz. Senti de repente um turbilhão de emoções dentro de mim, quebrado por uma gargalhada assim que olhei para ti cheio de frio. Abracei-te com as mãos à volta da tua cintura numa tentativa em vão de te aquecer. Minutos depois, estávamos sentados no primeiro lance de escadas da praia, porque como é óbvio, não desceste para não ficares com areia nos ténis tendo eu acabado por me sentar a teu lado.
A praia estava deserta ao alcance dos nossos olhos. O mar estava revolto e o vento teimava em soprar fazendo os meus cabelos baloiçarem. Foi então naquele simples momento, ao olhar o sol a preparar-se para dar lugar à noite, que me senti uma princesa! Ninguém soube nem mesmo tu, o quanto no meu interior estava feliz. O quanto os meus olhos brilhavam. O quanto o meu coração palpitava e, ao mesmo tempo, o quanto ele já sofria… puxei o carapuço e deixei a cabeça cair sobre as minhas pernas, ficando assim nos segundos seguintes até ser interrompida por ti, que me perguntaste se estava a chorar. Como sempre, consegui fazer um sorriso, encher-me de coragem e dizer-te que não. Puxaste-me para junto de ti e abraçaste-me. Sentia o vento a bater-me na cara que, apesar de frio, fazia-me sentir diferente. Naquele momento, o vento parecia de alguma forma especial, doce e enigmático, como um traço que falta a um quadro para o definir. De repente, começamos a falar de algo que já não me lembro, mas sei que a conversa ficou disparatada. Pegaste em mim ao colo, desceste dois degraus, deste três passos e deitaste-me na areia. Foi aí que tive vontade de me bater. De te enterrar a cabeça na areia. Mas levantei-me e ri-me. Voltei para junto de ti e fomos embora porque não te queria ver-te morrer de hipotermia!
Assim que virei costas ao mar senti-me triste. Senti um aperto e senti que o meu coração iria tornar-se vazio tal como a praia estava. Senti-me entristecer por dentro. Senti o vento frio de novo na minha cara e senti uma vontade muito forte de pedir àquele que em tempos me pareceu um doce vento e que se tornava agora num sentimento de dor, que levasse tudo menos a ti!



Agora, sozinha nos meus pensamentos, peço de novo mais que nunca a este vento traiçoeiro, que leve tudo menos a ti. E se tiver mesmo de te levar para longe de mim, que leve também cada segundo dos nossos momentos e que sopre intensamente junto a ti, cada vez que te esqueceres do teu valor junto de mim e das poucas mas muito boas memórias que temos!



Vento doce que te tornaste traiçoeiro, só te peço que se o tiveres de levar o tragas de novo em breve, porque até a coisa mais forte que existe, precisa de ser cuidada para continuar a viver *

4 comentários:

  1. Não há dúvida! Continuas a escrever bem.
    Só um senão...
    Cuidado com a pontuação!!!!!
    Ah! E outra coisa! Vai pensando em escrever segundo o novo Acordo Ortográfico, que é a pior coisa que inventaram, mas que infelizmente temos de começar a praticar!

    Beijinhos!

    ResponderEliminar
  2. Muito obrigada primeiro que tudo! É verdade a pontuação continua a ser o meu calcanhar de Aquiles mas será resolvido :)
    Realmente também não concordo mas pronto se tem de ser !

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Repara bem na resposta que me deste.
      Analiza bem e COLOCA PONTUAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!! :P

      Transcrevo com a pontuação:

      Muito obrigado, primeiro que tudo!
      É verdadePONTO A pontuaçãoVÍRGULA continua a ser o meu calcanhar de AquilesVÍRGULA mas será resolvidoPONTO
      RealmenteVÍRGULA também não concordoPONTO Mas prontoVÍRGULA tem de ser!

      Não está melhor assim? :P
      Bjs

      Eliminar